Mas, os últimos três meses, tudo mudou. Emirton prejudicou nossa comunicação, não respondendo de forma satisfatória as minhas perguntas, escolhendo sozinho coisas para nossa casa. Vou citar alguns fatos ocorridos naqueles últimos três meses.
Emirton, toda semana, comprava uma rosa nas vendedoras da praia e me dava, eu colocava num vaso solitário no centro da mesa. Teve uma semana que Emirton chegou com uma rosa diferente, que não era vendida na praia. Era uma rosa bem mais bonita. Lhe perguntei:
- Onde você conseguiu esta rosa?
Ele ficou calado, tentei adivinhar:
- Foi no Jardim da casa da sua mãe?
Emirton responde alterado e ao mesmo tempo não dar a resposta a minha pergunta, ele fala:
- Que jardim da minha mãe!
Eu pergunto uma coisa, ele não responde, isto caracteriza uma falta de comunicação. O que adianta pergunta se não vou obter a resposta e se não recebo respostas, por que tenho que responder as perguntas dele, nosso casamento estava caminhando para uma completa falta de diálogo, ou pelo menos, para uma má comunicação. Ele não me responde, eu tento amenizar a situação tentando adivinhar a resposta e ainda por cima, recebo uma crítica em tom de crítica.
Depois que nos separamos, em uma das visitas que fiz ao meu pai, vi no seu jardim, uma roseira, com a mesma rosa que Emirton havia me dado. Emirton tinha ido à casa do meu pai naquela tarde e deve ter pedido a rosa para me dar. São esses pequenos detalhes que fazem um relacionamento, ser definido como bom, excelente: perguntas e respostas satisfatórias, que tenham uma boa comunicação. A resposta verdadeira do Emirton me pouparia de imaginar onde ele havia pego aquela rosa e pior, se ele não queria me dizer, é porque estava escondendo coisa muito séria, o que ele estava escondendo de mim. É lógico que estes pensamentos impediam de eu ser a mesma com ele. Um clima de desconfiança foi plantado entre nós, por causa da falta de comunicação do Emirton (tudo que ele tinha que fazer era dizer que pegou a rosa no jardim do meu pai).
Uma bela tarde estou no apartamento (estava de férias), quando vejo a porta abrir. Só Emirton tem a chave do nosso apartamento, o que ele está fazendo uma hora dessa em casa? Emirton tinha comprado uma geladeira, ia devolver a que tínhamos a mãe dele. Estava acontecendo uma coisa que eu nunca imaginaria que pudesse acontecer! Emirton havia decidido sozinho que ia comprar uma geladeira para o nosso apartamento, havia escolhido sozinho, efetuado a compra e ainda achava que eu iria ficar feliz com a surpresa! Quando eu vi aquela geladeira, tive vontade de gritar: Você não é o homem com quem casei, TRAGA MEU MARIDO DE VOLTA! Emirton tinha se transformado em outra pessoa! Mas como falar alguma coisa diante daquele sorriso!? Sorriso por achar que estava me fazendo uma bela surpresa! A comunicação entre a gente estava indo de mal a pior, ele não me comunicou o que ia fazer, não combinou nada comigo e eu não comuniquei a minha revolta. Gritos traria mais benefício a relação do que meu silêncio.
Teve um momento que Emirton me falou:
- O que você quer para me dar um filho? Eu não sabia por que Emirton estava me perguntando aquilo. Fiquei olhando pra ele sem entender nada! Emirton sabia dos nossos planos, sabia que só teríamos um filho quando estivéssemos no nosso apartamento, quando saíssemos do aluguel, faltavam 4 meses para ter direito a carta de crédito da CEF e poder escolher o apartamento. E que estória era aquela de “dar o meu filho.” Eu não vou dar meu filho a ninguém, eu ia TER o nosso filho. Eu, antes de qualquer coisa, estaria me dando um filho. Aquele homem que estava falando um absurdo daquele, não foi o homem com o qual eu casei. Eu casei com um homem que eu admirava suas atitudes, seus pensamentos, que seria incapaz de me fazer uma pergunta daquela. Mas novamente não verbalizei a minha revolta com aquela pergunta. Não valia mais apenas falar qualquer coisa para o Emirton, ele parecia não está mais interessado na minha visão a respeito do que nos acontecia, ou melhor nem lembrava do meu modo de pensar, nem lembrava que teríamos um filho assim que estivéssemos com o apartamento próprio. A pergunta errada e no momento errado, isso é uma má comunicação, o que é também caracterizada por eu não ter falado da minha revolta.
Quando Emirton deixou o nosso apartamento, esqueceu o seu adoçante. Ele aparecia para me visitar e não levava o adoçante. Teve um dia que eu joguei todo líquido na pia. Emirton chegou pegou o recipiente vazio e riu. Eu não entendi porque Emirton estava achando um recipiente vazio de adoçante engraçado. O que é que tinha de engraçado naquilo. Mas já estávamos separados, eu não precisava mais entender o Emirton, e ainda estava com raiva pelo que ele tinha me feito. Naquele momento eu não tinha disposição para me comunicar com o Emirton.
Acho que com os vários exemplos dados, mostrei como é importante a boa comunicação.
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