
Eu fico admirada como o que é óbvio para a maioria das pessoas, não é para uma minoria. Talvez seja porque o óbvio é simples e as pessoas gostam de complicar. É lei básica da sociedade que quando pagamos, recebemos nota fiscal, mas existem aqueles comerciantes que tentam armar para o cliente pensar que não é sempre assim. É tão óbvio, tão óbvio que ninguém vai acreditar que não tem direito a nota fiscal no ato do pagamento, que eu fico admirada, como alguns comerciantes criam para si aborrecimentos, tentando fazer o cliente desacreditar nos seus direitos. Este será um dos exemplos que darei neste texto.
Eu já estava casada há mais de um ano. Tinha ido ao shopping e comprado um vaso solitário. Vaso tem que ter rosa. Emirton passou a me dar uma rosa toda semana. Morávamos em um prédio, pessoas viam ele subindo com a rosa, ou saindo do carro com a rosa e como era perto da praia, onde as vendedoras ambulantes passeam, é até possível que alguém tenha o visto andando com uma rosa na mão. Eu acho que não precisa queimar os neurônios para saber porque um marido dar uma rosa a esposa, porque quer agradá-la, porque a ama e fica feliz em fazer gentilezas para a esposa, fica feliz em agradar. Nesta mesma época correu o boato que meu marido era da igreja universal, que éramos de religiões completamente diferentes. Sete anos depois, conheço os rituais da igreja universal, e fico sabendo que lá existe a sessão do descarrego, que, quase sempre, termina com a distribuição da rosa urgida (uma rosa comum que deve ser levada à casa com a finalidade de receber tudo que existe de ruim naquele ambiente, a única diferença dessa rosa para a comum é que a rosa urgida não abre, ela queima as pétalas, eles dizem que as pétalas foram queimadas porque a maldade que existia no ambiente passou para a rosa, enquanto que, a rosa comum abre, fica bonita, um dia é um botão, no outro uma rosa bonita). Conclusão: Pessoas não conseguiram vê o óbvio na entrega de uma rosa: amor, carinho, agrado e etc. Criaram uma história complicadíssima de que estávamos com problemas no casamento e que meu marido estava indo a sessão do descarrego da igreja universal. Criaram essa historinha nas suas cabeças deram ela como certa e espalharam o boato. Eu e Emirton alheios a isso tudo, só viemos saber desse boato e de como começou, sete anos depois, mas mesmo assim não sabemos quem o criou, com certeza foi alguém que não conhece “a arte da comunicação”, esta arte quando é usada pode impedi a criação de pseudos problemas. Ninguém perguntou ao Emirton: "Você é da Igreja Universal?" Talvez não quisesse ouvir a resposta: Não. Eu gosto de comprar rosas para minha esposa.
Ano Novo rompi na praia, fui ao encontro do meu pai e meus irmãos. Não conseguir encontrá-los. Comecei este ano dançando, me divertindo. Dia primeiro de janeiro, caiu no domingo, ainda estava com ressaca física, mesmo assim, no final da tarde fui fazer caminhada. Será que encontro a loja de revelação aberta? É claro que sim, loja perto da praia está aberta todos os dias, e principalmente hoje, que eles podem arrecadar mais, eles não iam fechar.
Aproveitei que ia caminhar e saí com uns negativos para revelar. Como negativo não é filme, neste nunca sabemos quantas fotos iram ficar boas ou queimarem, e, portanto não sabemos ao certo quanto vamos pagar; já os negativos, sabemos quanto devemos pagar, portanto resolvi deixar pago. O rapaz colocou de caneta no canhoto: “pago”. Peço a nota fiscal, afinal para receber as fotos preciso comprovar que paguei e a palavra “pago” de caneta que podia ser escrita por qualquer um, não é garantia de pagamento. E aí para não discutir com o dono da loja, tenho que engoli sapo, fingir que acredito que ele só pode me entregar a nota fiscal, quando eu fosse buscar as fotos. Tem cabimento um negócio desse! Eu estava pagando, dando dinheiro e não estava recebendo a nota fiscal! Seria óbvio para qualquer um, que ninguém iria acreditar naquela história, menos para aquele comerciante. Conseqüência: perdeu a cliente.
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