De madrugada, eu rolando na cama, de repente me veio na mente passagem da minha vida em forma de texto. Foi a noite toda pensando no texto, como começar, como terminar e sempre aparecendo mais lembranças. Se eu tivesse computador naquela hora, desistiria de tentar dormir e escreveria o texto, sabia que a solução para minha mente deixar de trabalhar e dar lugar ao sono seria escrever o texto que segue. Acredito que minha relação com o Fred vem de reencarnações passadas, mas como não posso lembrar delas, irei contar como começou nesta reencarnação. As duas primeiras gravidez da Arlene (esposa do meu tio Rogério) foram tranqüilas. Era ela jovem, morava em Maceió, todos os fatores contribuíam para uma gravidez sem problemas. Seis anos depois da segunda gravidez, veio inesperadamente a terceira. Nesta época, ela já havia se mudado para o interior com o marido, viajava nos finais de semana para a capital e já não era tão jovem, estava perto da casa dos trintas. No meio da semana, recebemos um telefonema do Rogério dizendo que precisava trazer a Arlene para a cidade naquele dia, pois sua gravidez tinha dado problemas. Chegou, foi ao médico e recebeu o diagnóstico de gravidez de alto risco, se ela não tivesse repouso absoluto perderia o bebê. Aquela era a primeira vez que ela precisava da assistência da sogra (minha avó), nas duas primeiras gravidez, ela havia passado o resguardo na casa da sua madrinha, mas esta não estava mais no nosso meio. Arlene ficou no nosso apartamento, não podendo se levantar nem para comer, só para ir ao banheiro. Eu também acredito que já nasci psicóloga, mas nesta reencarnação uma das minhas primeiras pacientes foi Arlene. Minha mãe e minha tia trabalhavam os dois horários, Arlene ficava comigo e com minha avó. Era minha função manter o lado emocional da Arlene equilibrado, não podia deixá-la pensando na sua fragilidade em sustentar aquela criança. Nesta época eu tinha 18 anos, estava no último ano do segundo grau. Chegava do colégio e perguntava à Arlene se o Rogério já havia ligado. Normalmente, ela me respondia que sim, quando resposta era não, eu ligava para o Rogério com uma desculpa qualquer (quase sempre zonava por ele ter que cuidar de duas criancinhas sozinho) e passava o telefone para a Arlene. Afinal para manter o lado emocional da Arlene equilibrado, era importantíssimo que ela continuasse sentindo o amor do marido, a distância entre eles tinha que ser amenizada com telefonemas constantes, assim Rogério ligava três vezes ao dia para falar com a esposa. Nas tardes que eu não tinha esporte, dividia meu tempo entre a Arlene e os meus estudos. Era importantíssimo não deixar a Arlene pensar besteira, tinha que está com ela, procurava falar a respeito de alguma coisa que tinha acontecido no colégio, emprestava minhas revistas, fazia tudo que fosse possível para passar a maior parte do tempo com ela. Ela tinha que trazer aquela criança ao mundo e para isso, ela não podia se abalar emocionalmente, não podia deixa brecha para a mente dela pensar na possibilidade de perder um filho. Tudo valeu a pena, conseguimos trazer Fred ao mundo, mas ainda não podíamos sossegar, o parto foi complicado, Fred ficou entre a vida e a morte. Meu tio, olhando pelo vidro aquele recém-nascido, pensou em voz alta: - Deus, este é o meu último filho, salve o meu filho! (naquele dia, ele não sabia que 18 anos mais tarde, teria uma filha fora do casamento). Com o nascimento do Fred, nasceu dentro de mim uma intuição, uma força, um sentimento forte de que eu tinha que proteger a vida do Fred de qualquer coisa ruim que lhe pudesse acontecer. Arlene veio com o Fred passar o resguardo no nosso apartamento, mas em pouca semana, houve problema na sua cirurgia e o médico disse que teria de fazer uma outra cirurgia. De imediato veio a sensação que a boa vida do Fred estava ameaçada e que eu não podia deixar que nada de ruim lhe acontecesse, não podia deixá-lo crescer sem mãe. Liguei para o meu tio, este não tinha a mínima idéia do que devia fazer para salvar a Arlene de uma nova cirurgia, não havia passado pela cabeça dele procurar outro médico. Ele fez o que eu disse, procurou outro médico que seguiu outra linha de tratamento e tudo deu certo.





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