Conversando com Mônica


04/07/2006


VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

(Helen Cristina)                                                                

            Depois da missa de formatura do meu primo Deives, minha mãe ofereceu os comes e bebes no salão do condomínio. A única criança da festa era meu priminho de 4 anos, o Wesley. Ele aproveitou bastante o espaço para correr, sua energia para brincar chamou a atenção dos adultos. Teve uma hora, que eu estava em pé com ele nos braços, suas pernas estavam entrelaçadas na minha cintura e seus braços abraçavam a meu pescoço, eu lhe disse:

-         Vou rodar você.

        Ele ficou calado e eu comecei a rodar, neste exato momento, eu recebo soco nas minhas costas. Eu o coloco no chão e falo:

-         Assim, não!

        Meu priminho tem 4 anos, está em fase de desenvolvimento, aprendendo a se comunicar, a dizer: “Eu não quero que você faça isso”, ao invés de socar. Aprendendo a se comportar, a usar a inteligência, portanto, ele reagiu como qualquer garoto da idade dele.

O que não se admite é que um adulto tenha o mesmo desenvolvimento mental de uma criança de 4 anos. É isso que eu penso dos homens que batem em mulheres: Que por deficiência de desenvolvimento mental, deficiência em seu grau intelectual ou na sua capacidade de se comunicar que eles partem para a violência. Eu acredito que tudo pode ser resolvido, se colocarmos a massa cerebral para funcionar. Mas, infelizmente, alguns homens esquecem que são seres racionais e partem para a agressividade.

Porém, o objetivo desse texto, não é o de estudar o comportamento masculino, mas sim o feminino. O que faz uma mulher sofrer agressão e ficar calada? Irei fala de dois casos de mulheres que foram agredidas por seus companheiros.

          A ex- integrante do Fama 3 (programa da rede Globo), Helen Cristina de 22 anos, morava com o marido e a sogra, era mantida em cárcere privado e foi  agredida fisicamente várias vezes pelo marido, mas só da última vez, resolveu denunciá-lo. Nesta última vez, ela foi surrada e em seguida, seu marido pegou um martelo e bateu em seu braço, quebrando o mesmo em três lugares. A monstruosidade do seu marido, não parou aí, ela foi obrigada a dormir ao lado dele com o braço quebrado. Ele não se preocupou nem em socorrê-la. Ou melhor, como todo mundo que comete um crime, a única preocupação dele foi em esconder o seu crime, não permitindo que ela fosse ao médico. Daí, conseguimos entender porque algumas mulheres mentem quando chegam ao hospital ao lado do seu agressor, muitas dizem que caíram, esse é o único jeito delas serem socorridas: prometendo ao marido que não dirão o que aconteceu. Na entrevista ao Superpop apresentado por Luciana Gimenez, Helen estava visivelmente abalada, tinha o braço engessado e com pinos.Imagine o quanto essa garota sofreu naquela noite, deitada com o braço doendo intensamente, e ao mesmo tempo tendo a consciência que aquilo ia aumentar porque estava impossibilitada de socorrer a ela mesma. Que coisa terrível!

            

                                                                             (Ingrid Saldanha) 

             A agressão à  Helen Cristina, aconteceu no ano passado, talvez, seja por isso que eu não tenha conseguido foto dela machucada. Já a da Jornalista Ingrid Saldanha (32 anos) é recente, a foto diz tudo. Ingrid também já tinha sido agredida pelo seu marido (o ator Kadu Moliterno) , com quem é casada há 15 anos e tem três filhos, mas nunca o havia denunciado. Dessa vez, eles estavam no carro com as crianças, quando no meio da discussão, Kadu deu um soco no rosto de Ingrid. Intensidade do soco: Quebrou o nariz e ela teve que levar pontos. Depois dessa agressão, ele deixou ela com as crianças em casa e saiu. Por que ele não a levou a um hospital? Provavelmente, pelo mesmo motivo que o marido de Helen também não o fez, ele não queria que ninguém soubesse o que ele havia feito.

Escrito por Mônica às 17h24
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CONTINUAÇÃO DO TEXTO ANTERIOR

            Eu tomei conhecimento desses dois casos no programa da Luciana Gimenez, os entrevistadores se perguntavam: Por que elas não fizeram nada quando foram agredidas pela primeira vez? Quanto mais eles se perguntavam isso, menos conseguiam uma resposta satisfatória.

            Um psicólogo falou que existem três tipos de agressão: a emocional, a física e a sexual.

            Eu acho que essas mulheres antes de serem agredidas por seus maridos, sofreram uma agressão muito maior por suas famílias: a emocional. E por um período de tempo bem mais longo, pois elas viveram com a família do nascimento aos 18 ou 25 anos.

           Quando comecei este blog, acompanhei o blog de uma garota, eu adorava o blog dela, era tão real, ela conseguia escrever as coisas mais trágicas de uma maneira suave, gentil, sem xingamentos. Eu estou falando do blog “quero mais da vida”. Estudei a personalidade dessa garota do início do blog até quando eu pude, ou seja, só deixei porque o blog saiu do ar, ou pelo menos, não estou conseguindo acessar. Li a respeito dos problemas que ela tinha com sua família, a desvalorização deles. Por tudo que ela escrevia, teve um momento que eu pensei: “Essa garota é alvo fácil para um homem agressor”.

           Imagine uma garota que passa parte da sua vida sendo agredida emocionalmente pela sua família, agredida através de desprezo, negligência, descaso, desvalorização das suas qualidades, emoções, desejos ou conquistas, uma família que faz tudo que é possível para que a garota fique bem insatisfeita com a vida, infeliz. Esta garota com esta estória familiar, encontra um homem que a trata completamente diferente da família. Um homem, o qual, a coisa mais importante para ele é a felicidade dela, que cuida dela quando está doente de uma forma que sua mãe nunca cuidou, um homem que quer sempre o melhor pra ela, que a trata da melhor maneira possível porque a ama da maneira mais intensa que um homem pode amar uma mulher, a mínima coisa que ela faz é valorizado como deve ser. Mas, depois de algum tempo de casamento há a primeira agressão, a escolha dessa garota é: calar e continuar feliz no seu casamento ou falar e voltar a ser agredida emocionalmente pelo pais e familiares.

            Veja o caso da Ingrid, o que fez a Ingrid denunciar o marido não foi a agressão física sofrida, mas a emocional. Ela resolveu denunciá-lo no momento que o Kadu deixou ela com a nariz sangrando em casa e saiu, não dando a mínima para a saúde dela, são palavras da Ingrid:

             “Foi aí que resolvi denúnciá-lo.”

               Se ela tivesse sido agredida, mas não a ponto de precisar do marido para lhe dar socorro e este negar, ela não o havia denunciado. Ela denunciou porque foi agredida emocionalmente: No momento que ele não prestou socorro, ela se sentiu não amada e o denunciou.

            Acho que, se queremos acabar com a agressão as mulheres, podemos começar educando bem as nossas meninas, evitando agredi-las emocionalmente, para que futuramente ela não seja uma dessas mulheres que suportam qualquer agressão física do marido, porque sabe através de experiência própria, que a agressão emocional é uma das piores.

            Este texto é contra a agressão masculina, mas acho bom não exagerar neste CONTRA. Um homem jogar um objeto contra parede no meio de uma discussão, não é motivo para acabar namoro de seis anos. Seria motivo de desistir desse homem, se ele fizesse isso no primeiro encontro, ou num namoro recente. Eu mesma, uma vez, cheguei no meu apartamento morrendo de raiva da minha mãe e família, e joguei com toda força, minha bolsa contra a parede. Meu marido, não fez disso uma tempestade, é bom casar com alguém que nos deixe exteriorizar nossos sentimentos, a nossa maneira. Aos casais aconselho ter um saco de pancadas em casa e uma luva de Box, quando estiverem com raiva, descarregue tudo no saco de pancadas, mas não esqueça de resolver a causa da raiva.

            Para finalizar este texto, vou registrar meu elogio aos vídeos que andaram passando na tv. O que tinha uns homens criticando um amigo por ter batido na mulher é um dos meus preferidos. Nele, são os próprios homens que ficam contra a agressão física. Esses vídeos não deviam sair da tv, nunca! Revejam o vídeo, mostre a todos os homens que vocês conhecem. A campanha não pode ficar só na tv. O vídeo se encontra no site: www.violenciamulher.org.br .

Escrito por Mônica às 17h23
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