VOCÊ É LINDA!

Fonte de mel
Nos olhos de gueixa
Cabúqui e máscaras
Choque entre o azul
E o cacho de acácias
Luz das acácias
Você é mãe do sol
A sua coisa
É toda tão certa
Beleza esperta
Você me deixa a rua deserta
Quando atravessa
E não olha
Pra trás
VOCÊ É LINDA!

Fonte de mel
Nos olhos de gueixa
Cabúqui e máscaras
Choque entre o azul
E o cacho de acácias
Luz das acácias
Você é mãe do sol
A sua coisa
É toda tão certa
Beleza esperta
Você me deixa a rua deserta
Quando atravessa
E não olha
Pra trás
VOCÊ É LINDA!

Linda,
E sabe viver
Você me faz feliz
Esta canção é só pra dizer
E diz
Você é linda,
Mais que demais
Você é linda, sim
Onda do mar
Do amor, que bateu em mim
Você é forte,
Dentes e músculos
Peitos e lábios
Você é forte
Letras e músicas
Todas as músicas
Que ainda hei de ouvir
No abaeté,
Areia e estrelas
Não são mais belas
Do que, você
Mulher das estrelas
Mina de estrelas,
Diga o que você quer
Gosto de ver,
Você no seu ritmo
Dona do carnaval
Gosto de ter
Sentir seu estilo
Ir no seu íntimo
Nunca me faça mal
Esta música me faz lembrar a Cris (Cristiane - tia por parte de pai) e os meus 14 anos (por aí). Ela adorava essa música, não cansava de escutar, no mínimo algum fã tinha lhe feito uma homenagem com essa música. Deve ter sido um fã que nem imaginava do que o Caetano estava falando na última estrofe “Gosto de ver vc no seu ritmo, dona do carnaval...”, pois na época éramos virgens.
Para dar a exata idéia do significado daquelas férias, irei falar de dois ambientes completamente diferentes que eu vivi.
CONTINUAÇÃO DO TEXTO ANTERIOR
Fui educada com a minha mãe e a minha família materna. Estes familiares me orientavam o tempo todo a me proteger contra os homens, a não deixa que eles chegassem perto de mim. Quando eu voltei das férias dos meus 14 anos (que irei contar no próximo parágrafo), acompanhei minha tia Rogércia na visita a uma das suas amigas, lá encontrei dois rapazes e fiquei conversando com eles, quando saímos, minha tia me recriminou taxativamente: “Como é que você dá tanta conversa a dois homens que não conheçe!”, e etc e tal. Quando chegamos em casa,o escândalo da minha tia foi acrescido com o escândalo da minha mãe. Teve uma vez, que a vizinha da frente recebeu dois rapazes de São Paulo (parentes), minha mãe foi logo dizendo: “Eles podem aprontarem o que quiser aqui, que ninguém na cidade deles vai ficar sabendo, não dê conversa a esses rapazes.” O tempo passou, mas a essência da personalidade dessa família continua a mesma. No ano passado fui recriminada porque deixei a Darlyn (sobrinha que na época tinha 10 anos) joga pega-vareta com rapazes, deixei ela fazer o maior sucesso com os rapazes de 13 ou 14 anos, eles falaram: “não é possível que eu vou perder para uma piveta”. Ela subiu contando a minha tia que tinha ganhado dos rapazes, essa informação para a minha tia não era importante, o importante era que ela tinha 10 anos e estava recebendo a atenção dos rapazes. Mesmo que essa atenção tenha sido vigiada por mim, o que aconteceu para a minha tia foi um absurdo! Voltando a minha vida, ainda bem que o indivíduo nasce com três famílias: a sua (pai, mãe e irmãos), a materna e a paterna.
Desde os 10 anos que eu passava finais de semana esporádico com a minha avó paterna, minha tia Estefânia e a Cris (que tínhamos a mesma idade). Quando estávamos perto dos 14 anos, num dos nossos passeios, minha tia Estefânia nos levou a um barzinho na orla maritma. Eram três representantes do sexo feminino sentadas sozinhas num barzinho, lógico que surgiu paquera, mas devido a minha formação materna eu estraguei com tudo. Uns rapazes turistas se aproximaram da gente, trocaram algumas palavras e perguntaram se podiam sentar. Eu fui extremamente grossa com os rapazes e o que aconteceu em seguida foi surpreendente pra mim, sabia que minha mãe e minha tia materna se estivessem ali teriam apoiado a minha atitude, mas minha tia Estefânia estava me recriminando. Gente, tem pessoas que haja que os homens têm que serem bem vindo, o comportamento da minha tia Estefânia era novidade pra mim e o da Cris também, que ficou chocada com o fora que eu dei nos rapazes.
Contei esse episódio ao meu pai, falando o que me levou a dar o fora nos rapazes e depois disso fui passar minhas férias de verão com a Estefânia e a Cris, e que férias! O apartamento era perto da praia, eu e Cris íamos à praia todos os dias. Cris não perdia a oportunidade de testar a sua capacidade de atrair os rapazes, jogávamos charme (viu que eu já comecei a me incluir neste comportamento), víamos se conseguíamos atrair determinado rapaz, brincávamos com os rapazes: atrairmos eles só para testar o nosso poder de atração e nos divertíamos vendo o otário caidinho pela gente, era tudo diversão. Na praia, sempre aparecia um completo desconhecido para conversar com a gente, quando o cara não fazia de jeito nenhum o nosso tipo nem o nome certo dávamos, mas éramos educadas com eles. Tomávamos banho de mar perto dos rapazes, alguns apareciam para conversar enquanto a gente estava tomando banho. E o clima favorecia mesmo a uma aproximação, às vezes rolava algum beijo, mas muito raramente, pois tanto eu como a Cris tínhamos o nosso lado sério, apesar da Cris ir à praia sozinha comigo, ela tinha namorado (ele trabalhava), só o namorado dela era levado à sério, os outros serviam apenas de termômetro para medir nossa capacidade de atração, de “seduzir”. Mas, nós não ficávamos na praia só de manhã, não. À tarde íamos por calçadão, paquerar, a maioria das pessoas deviam está ali para perder peso, mas nós, com o nosso corpinho de 14 anos, estávamos para olhar para os rapazes, receber um “oi” de um conhecido ou de um completo desconhecido, saber que éramos capazes de fazer com que aquele rapaz que tinha passado pela gente, voltasse e passasse a nos acompanhar na praia ou sentasse para conversar.
CONTINUAÇÃO DO TEXTO ANTERIOR
Quando Estefânia estava de férias, os nossos dias ficavam bem melhores, porque íamos paquerar os turistas nas praias distantes. Estefânia nos levava para o Francês (era sua praia favorita) e eu e Cris não perdíamos a oportunidade de conhecer “gente” (rapazes) nova. Estefânia fazia:
- Quem era aqueles que estavam conversando com vocês
na água?
Na verdade, nossa resposta não importava muito, pois a conversa tinha rolado perto da sua vista, a alguns metros de distância, mas ainda visível. Acho que ela queria saber só para ter uma idéia, se eram rapazes que merecia o incentivo dela para um namoro ou amizade. Se a gente falasse que não era ninguém importante, ela sabia que não pretendíamos manter contato com aqueles rapazes.
Enquanto minha família materna achava que eu tinha que ser protegida da investida dos rapazes, minha tia paterna, Estefânia, valorizava a companhia masculina em minha vida. Teve uma vez que eu e Cris estávamos cogitando a possibilidade de irmos à uma boate, Estefânia disse:
- Duas moças, sozinhas, numa boate! Duas moças sozinhas numa boate, não pode ser. Liguem para um dos seus amigos para ele lhe acompanhar. Que pelo menos, tenha um rapaz com vocês.
Depois daquelas férias, passamos a estudar no mesmo colégio, ou melhor, Cris veio estudar no colégio que eu estudava. Estudamos juntas por três anos, nos formamos juntas.
Como está nossas vidas no dia de hoje? Cris casou assim que entrou para a faculdade (aos 19 anos) e eu casei aos 26 anos, e acreditem tanto eu como a Cris casamos com quem foi o nosso primeiro homem. Não é só os meninos que passam pela fase de afirmação, as meninas também (depois a vida vira séria). Depois que Cris se separou foi morar
Ainda bem que nascemos com três famílias e nascemos para construir a nossa família. Cris, foi muito bom tê-la como amiga, principalmente na minha adolescência.


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